Censos :: Sobre Censos

O que são

Os Recenseamentos da População e da Habitação – CENSOS – são as maiores operações estatísticas realizadas em qualquer país do mundo; destinam-se a obter informação sobre toda a população residente, as famílias e o parque habitacional.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os Censos estão entre os exercícios mais complexos e massificados com que uma nação se compromete. Requerem o mapeamento de todo o território, a mobilização e formação de um grande número de profissionais, a realização de uma vasta campanha pública, a adesão de toda a população, a recolha de informação individual, a compilação de grandes quantidades de informação e a análise e divulgação de um vastíssimo número de dados.

Os Censos integram um sistema estatístico nacional, que pode incluir outros recenseamentos (por exemplo, da agricultura), inquéritos, registos e arquivos administrativos. Fornecem, em intervalos de tempo regulares, o valor de referência da contagem da população, a nível nacional e local. Para as pequenas áreas geográficas ou subpopulações, podem constituir a única fonte de informação para um conjunto alargado de características demográficas, socioeconómicas e no domínio da habitação.

Os Princípios e Recomendações da ONU entendem os Censos como processos normalizados de recolha, tratamento, avaliação, análise e difusão de dados, referenciados a um momento temporal específico e respeitantes a todas as unidades estatísticas (indivíduos, agregados, alojamentos e edifícios) de uma zona geográfica bem delimitada, normalmente o país.

Estas recomendações referem, em conformidade, cinco princípios base:

  • Recenseamento individualizado: os Censos implicam que cada unidade estatística seja recenseada individualmente e que as suas caraterísticas sejam registadas separadamente;
  • Universalidade dentro de um território definido: os Censos devem cobrir um território preciso, no caso, todo o país. O Censo da população deve incluir todos os indivíduos presentes e residentes no país e o Censo da habitação deverá incluir todos os edifícios e alojamentos destinados a habitação, independentemente do seu tipo;
  • Simultaneidade: cada unidade estatística deve ser recenseada, tanto quanto possível, considerando o mesmo momento de referência;
  • Periodicidade definida: os Censos devem ser realizados em intervalos de tempo regulares para que a informação possa ser comparável;
  • Disponibilidade de dados para as pequenas áreas estatísticas. Os Censos devem produzir dados sobre o número e as características da população e dos alojamentos para o nível geográfico mais desagregado e para pequenos grupos populacionais, protegendo a confidencialidade da informação individual.

Até hoje efetuaram-se, em Portugal, quinze recenseamentos da população e cinco recenseamentos da habitação, segundo as recomendações internacionais, iniciadas em 1853. Remonta a 1970 a primeira realização simultânea dos dois tipos de recenseamento (população e habitação).

Os próximos Censos vão ter lugar em 2021:
XVI Recenseamento Geral da População e VI Recenseamento Geral da Habitação

 




Para que servem

Os Censos produzem informação essencial para o desenvolvimento económico e social, constituindo-se como instrumentos indispensáveis ao planeamento informado dos serviços e à definição de políticas, nas mais variadas áreas. A informação censitária é, pois, relevante para os sectores público e privado, bem como para os cidadãos em geral.

O capital humano é fator determinante para o bem-estar e progresso das sociedades. O objetivo dos Censos é fornecer informação que permita o conhecimento aprofundado e rigoroso desse capital, a nível nacional, regional, local e, a um nível mais fino, para pequenas áreas geográficas ou subpopulações. Essa informação é fundamental para a tomada de decisão e investigação por parte de Estados, governos, sociedade civil, academias e demais “stakeholders”.

Através dos dados dos Censos é possível obter, para cada nível geográfico, uma "fotografia" das pessoas e das suas condições de habitabilidade. Deste modo, ficamos a saber: quantos somos, como somos, onde vivemos, como vivemos.

Os dados dos Censos, sobre a população e a habitação são, assim, fundamentais para identificar, por exemplo:

  • O número de escolas, creches, lares de idosos que são necessários;
  • Onde se devem construir as vias de comunicação, os hospitais, etc.;
  • Como distribuir os fundos pelas Câmaras Municipais.

Para além disso, a comparação com os dados dos recenseamentos anteriores possibilita a análise das transformações da sociedade portuguesa. Os dados censitários permitem, pois, a análise da estrutura social e económica do País, da sua evolução e tendências, bem como a comparação com outras sociedades e países.

Deste modo, os Censos são uma fonte única e renovável de dados que, caraterizando a população e o parque habitacional, surgem como valiosos instrumentos de diagnóstico, planeamento e intervenção, nos mais variados domínios, tais como:

  • Na definição de objetivos e prioridades para as políticas globais de desenvolvimento;
  • No planeamento regional e local;
  • Nos estudos de mercado e sondagens de opinião;
  • Na investigação em ciências sociais.

 



Censos em Portugal

O primeiro censo da população conhecido no território que é hoje Portugal foi realizado no ano zero, por ordem do Imperador César Augusto e dizia respeito à então província romana da Lusitânia. Posteriormente, na Idade Média também os Árabes efetuaram vários recenseamentos durante a sua permanência na Península Ibérica.

Já após a fundação da nacionalidade foram realizadas várias contagens mais ou menos extensas tendo preocupações sobretudo de ordem militar. Estes "numeramentos", "contagens" e até mesmo "recenseamentos" por não serem exaustivos e/ou não se apoiarem em princípios estatísticos científicos credíveis, não podem ser considerados equivalentes à série de recenseamentos iniciada em 1864.

As operações realizadas foram as seguintes:

  • Rol de Besteiros do Conto, de D. Afonso III (1260-1279);
  • Rol de Besteiros do Conto, de D. João I (1421-1422);
  • Numeramento ou Cadastro Geral do Reino, de D. João III (1527);
  • Resenha de Gente de Guerra, de D. Filipe III (1639);
  • Lista dos Fogos e Almas que há nas Terras de Portugal, de D. João V (1732), também conhecida por Censo do Marquês de Abrantes;
  • Numeramento de Pina Manique, de D. Maria I (1798);
  • Recenseamento Geral do Reino, de D. João VI, também conhecido por Censo do Conde de Linhares (1801).

O I Recenseamento Geral da população portuguesa, a reger-se pelas orientações internacionais do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853, realizou-se em 1864, marcando o início dos recenseamentos da época moderna.

Embora estas orientações já indicassem que os recenseamentos deveriam ser realizados de 10 em 10 anos, o censo seguinte apenas se realizou em 1878, seguindo-se o de 1890. A partir de então, os recenseamentos da população têm vindo a realizar-se, com algumas exceções, em intervalos regulares de 10 anos.

Em 1910, a turbulência vivida com a implantação da República motivou a não realização do censo, vindo a ter lugar apenas em 1911.

Após a criação do INE em 1935, os recenseamentos passaram a ser realizados por este Instituto, o primeiro dos quais em 1940.

Outro marco importante na história dos censos ocorreu em 1970, quando em simultâneo com o Recenseamento da População se realizou o I Recenseamento da Habitação.

Em cada operação censitária, o INE introduz melhorias que têm permitido ganhos de eficiência na realização destas operações. Em 2001, a leitura ótica dos questionários e o tratamento automático de caracteres e expressões possibilitaram avanços significativos no tratamento da informação recolhida.

Em 2011 foram, pela primeira vez, georreferenciados os edifícios e foi possível responder, com grande sucesso, através da Internet. A colaboração da população contribuiu, então, para que Portugal seja um dos países que obtiveram elevadas taxas de resposta aos Censos pela Internet (50%).

Em 2021, irá ter lugar o XVI Recenseamento da População e o VI Recenseamento da Habitação.

Censos em Portugal de 1864 a 2011 (pdf)





Censos no Mundo

Nas últimas décadas, registou-se uma trajetória de mudança do modelo censitário utilizado em muitos países do mundo. Os Censos efetuados pelo método tradicional têm vindo progressiva e consistentemente a ser substituídos por modelos parcial ou totalmente baseados em informação administrativa.

A alteração do modelo censitário, à escala mundial, visa responder à Sociedade de forma mais eficiente e eficaz, permitindo a redução dos custos, a diminuição da carga estatística sobre a população e a divulgação mais frequente de informação.

Os modelos censitários estão classificados pelas Nações Unidas em quatro grupos:


  1. Modelo Clássico ou Tradicional (sem recurso a ficheiros administrativos);
  2. Register-based – baseado exclusivamente em registos administrativos, sem recurso a inquéritos;
  3. Mistos ou combinados – utilizam informação administrativa, complementada com resultados obtidos por inquéritos amostrais ou exaustivos;
  4. Rolling Censos – o universo (a população residente) é dividido em cinco partes, sendo cada uma observada em cada ano (modelo utilizado apenas pela França).

 Modelos utilizados na ronda censitária de 2010 nos países da UNECE


Mapa UNECE

Fonte: UNECE


Modelos censitários utilizados noutros países

O documento seguinte apresenta uma visão sobre os diferentes modelos censitários utilizados a nível internacional, bem como identificação das práticas seguidas por alguns países de referência.


Modelos Censitários Internacionais (pdf)